Flávio Roscoe tem 54 anos, é casado, pai de três filhas e mineiro de Belo Horizonte. Ainda garoto, montou um pequeno negócio de criação de coelhos.
A vida de trabalho começou cedo e em três turnos. Cursava economia pela manhã, passava a tarde na fábrica têxtil fundada pelo pai — carga e descarga, manutenção, compras, financeiro — e à noite dava aula de inglês. Aos 25 anos assumiu a gestão do negócio ao lado dos irmãos. São mais de três décadas na indústria. Hoje é sócio-diretor da Colortextil Participações, da Colortextil Nordeste, da Itatextil e da FTX.
Antes de presidir a FIEMG, passou 16 anos à frente do Sindimalhas, o sindicato das indústrias têxteis de malhas de Minas, e depois foi vice-presidente administrativo-financeiro do Sistema. Não chegou à presidência por sucessão natural: chegou derrubando uma estrutura que estava no lugar havia mais de duas décadas.
Assumiu em 2018 uma instituição no vermelho, R$ 200 milhões em déficit. No primeiro dia de mandato cancelou R$ 100 milhões em contratos suspeitos, demitiu centenas de apadrinhados políticos, cortou 97% da despesa do próprio gabinete e acabou com o uso de voos fretados. Recebeu ligação de gente poderosa pedindo para recuar. Bancou.
O Sistema FIEMG passou a investir cerca de R$ 1,4 bilhão em infraestrutura, tecnologia e educação ao longo de oito anos. Só no SESI-MG, um plano de aproximadamente R$ 1,2 bilhão construiu, ampliou e modernizou escolas, o maior investimento da história da instituição no estado. O alcance saiu de cerca de 60 mil para aproximadamente 300 mil alunos, com 120 mil bolsas integrais. Nove das dez melhores escolas SESI do Brasil estão em Minas.
No SENAI-MG foram 1,5 milhão de matrículas em educação profissional ao longo da gestão, sendo mais de 250 mil só em 2025, o maior resultado anual da história da instituição. Em tecnologia e inovação, R$ 287 milhões em serviços nos primeiros seis anos e outros R$ 57 milhões em contratos de pesquisa e desenvolvimento. Entre os projetos estruturantes está o CIT SENAI ITR, em Lagoa Santa, primeiro da América Latina voltado à pesquisa e à produção de ímãs de terras raras, matéria-prima de carro elétrico, energia renovável e indústria de alta tecnologia.
Entre 2018 e 2024, o patrimônio líquido do Sistema cresceu 379%. Ao final da gestão havia cerca de R$ 3,5 bilhões em caixa para investimento, e a Federação havia ajudado a atrair aproximadamente R$ 22,6 bilhões em novos investimentos para o estado. Roscoe também presidiu o Sicoob Credifiemg, participou da ABIT e do Conselho Curador da FAPEMIG, e é presidente de honra da FIEMG Jovem.
Ao longo desses oito anos, sentou dezenas de vezes com a Assembleia e com o Governo do Estado para destravar pauta do setor produtivo. Foi ali que ele parou de acreditar que dava para consertar Minas de fora. Em uma dessas disputas, abriu mão de um processo de defesa comercial que protegia receita milionária da própria empresa para não ficar refém de chantagem política em Brasília. Perdeu dinheiro e manteve a independência. É a mesma lógica com que se apresenta agora: quem corta privilégio de engravatado tem pulso para enfrentar o que trava o Estado.

